16.5.06

Pequenos nadas

São pequenos nadas... quase microscópicos. E, mesmo assim, parece que foram colocados no nosso caminho apenas para nos atrapalhar ou irritar. Porque será que são sempre as pequenas questões, as minúsculas dúvidas que emperram a nossa vida? Quando vemos as películas hollywoodescas acontecem grandes rupturas, gigantescas falhas... e, no fim, sempre o herói as resolve com a maestria de um ás. Mas nós, os normais, parece que estamos sempre presos por ínfimos detalhes. As nossas vidas felizmente não passam por grandes tragédias regularmente - mas, no entanto, continuamos a tropeçar. Continuamos a esquecer-nos e assinar o A, ler as entrelinhas do B... dizer a C que gostámos do almoço, comprar umas flores a D apenas porque hoje elas vinham mesmo a calhar...

Nós, humanos e anjos, pelos vistos estamos sempre a tentar precavermo-nos da tragédia, do colapso total - fazemos grandes planos para grandes datas. E acabamos por menosprezar esses pequenos nadas; acabamos por viver em grandes planos cinematográficos, quando a vida deveria ser sempre feita é de pequenos momentos.

Hoje, olhei para mim, face reflectida num qualquer monitor de computador, e pensei: Que fazes aqui? Devias ir comprar uma maçã, aproveitar o sol de início de Verão, e ler livros já gastos em esplanadas citadinas... obviamente, não fui. Continuo aqui, face reflectida. Sempre foi bem mais fácil imaginar que agir.

R.

4 comentários:

Nuno Guronsan disse...

Comungo da tua ideia dos "pequenos nadas". Há muito que deixei de acreditar que a vida pode ser vivida como um blockbuster de verão. Prefiro vivê-la como se de uma produção low-budget se tratasse, onde as coisas podem correr bem ou mal, onde somos responsabilizados pelas decisões que tomamos e, principalmente, onde um raio de sol ou o oceano infinito são o suficiente para pano de fundo da vida que escolhi.

angel_of _dust disse...

nem mais nuno. mas acho também que poucos de nós terão a coragem de nortear a sua vida pelo princípio dos "pequenos nadas". na maior parte das vezes, o máximo que conseguimos é momentos de lucidez- para, logo de seguida, nos embrenharmos novamente na "vida-pendular"

Nuno Guronsan disse...

Sim, concordo que é cada vez mais dificil de fugir da "sociedade-pendular", nem que seja por uns breves instantes.

polegar disse...

compreendo-te perfeitamente... :)