28.3.08

Um corpo para uma imagem

Gostava de saber o teu nome. Finalmente tornar-te real - real e minha. Já te imagino há tanto tempo, mas agora é chegada a hora de dar o salto do sonho para a realidade. Dar-te substância. Dar-te voz. E resposta. Nos meus sonhos, as respostas que dás são as quero ouvir e sempre no momento mais adequado - talvez porque são sempre minhas. Na minha cabeça és perfeita, mas só na minha cabeça é que existes. No fundo, não passas de um reflexo dos meus anseios, necessidades e memórias. És um verbo - amar - mas não és o acto. E enquanto verbo és tudo o que quero. Mas não chega. Em tempos sim. Mas agora quero mais. Muito mais. Quero o pacote completo. Quero emoções e desejos. Mas também quero mãos e pernas. Quero que concordes comigo. Mas, por vezes, também quero divergências. Saber-te minha pela possibilidade de fuga. Poder conquistar-te. Na minha cabeça estás ganha. Sem esforço. Mas quero ter de me esforçar. Andar atrás de ti. Fazeres-me esperar. Para depois dizeres que sim. E eu saberei que é sim porque realmente me queres. E não poque vivas aqui - dentro de mim. E só aí.

A verdade é que não sei onde te encontrar. Por onde começar. Nem sequer sei como fazê-lo. Sabes, nunca necessitei - estiveste sempre aqui. Estás sempre à minha espera nesta "ilha" que criei para nós. Com respostas certas para os meus anseios. Tem as respostas que busco. E as ilusões de que necessito para poder continuar. Tens a dose certa de loucura para me tirares do sério. Mas a sensatez de me trazeres de volta. Para o mundo de rotinas e compromissos. Onde espero por mais uma viagem contigo. Tenho de te ter aqui, sei-o agora. Preciso de saber se (que?) és real. Se também tu tens rotinas e obrigações. Se às vezes acordas mal-humorada. Se nem sempre és bonita quando choras. Se por vezes não terás paciência para as minhas lamúrias. Ou então se o teu sorriso é ainda mais belo do que imagino. Se terás mais estórias para partilhar comigo qeu aquelas que já conheço (inventei?). Preciso que passes de imagem difusa a corpo real - de figura etérea a toque de mulher. Preciso de ti. Do teu nome, voz e corpo. Do calor em noites de inverno. Da frescura em tardes de verão. Da jovialidade primaveril. E da melancolia outonal. Preciso de ti em frente à televisão. No cinema a comer pipocas (sim, contigo quero comer pipocas). A dizer mal deste ou daquele. A refilar com tudo, mesmo sem razão. Preciso de ti fora dos meu sonhos. Ocupas demasiado espaço. Quero-te realmente a meu lado. É aí que me estás a fazer falta...

R.

7 comentários:

A disse...

Ás vezes a fantasia e os sonhos são tão melhores que a realidade. Os sonhos ao tornarem-se reais, deviam por obrigação "moral" ser ainda melhores, mas nem sempre é assim, Infelizmente!
Nem sempre o nome tem importância, é apenas e só um nome. Nem sempre o saber é importante, basta acreditar.
Real e Tua...meio caminho está percorrido. Beijinho

C. disse...

...é como se, a dado momento, esta personagem, de contornos irreais, que criámos dentro de nós, se tivesse tornado demasiado complexa para continuarmos a representa-la sozinhos. falta-lhe a textura, uma forma com sabor que lhe dê vida...e nos alimente a alma. como nos faz falta :)

angel_of _dust disse...

a: como conciliar a imaginação com a razão/concretização? se calhar, o melhor é ir gozando com a descoberta...

c: como nos faz falta dar corpo às imagens que criamos na cabeça... e e como lidar com a hipótese de poder ser real?

C. disse...

...da mesma forma que sabe bem abrir os braços e abraçar o vento, sentir a sua força contra nós, saberá bem abrir as portas a essa hipótese (mesmo que à partida seja invisível) e sentir o que esta nos oferece. Tal como acontece com o vento, não saberemos nunca onde nos leva, mas teremos a certeza de ser real, se nos dispusermos a sentir a sua força, se nos deixarmos levar :$

angel_of _dust disse...

c: eu, por mim, estou disposto a deixar-me levar... não sei onde está o destino - nem sequer se existe realmente um destino ou se, como já suspeito, o importante será a viagem...

... quem me quer acompanhar?

A disse...

Pena é que nem sempre com o caminho se descobre o melhor do outro... Ás vezes só se descobre mesmo a pior parte. Porque na nossa imaginação tudo é perfeito, as respostas são perfeitas, a interligação sublime simplesmente acontece!
Viver um sonho perfeito nem sempre tem a concretização e não há conciliação com a razão. Onde há sentir não há razão!
E sim! O melhor é mesmo ir gozando a descoberta do dia a dia. E mesmo assim...manter os sonhos vivos!

C. disse...

...sim, o importante é estar disposto a traçar novos rumos nos mapas que possuimos porque o destino, apesar de existir nos nossos sonhos, só o poderemos conhecer se seguirmos viagem.

se fores para os meus lados faço-te companhia ;)