8.9.08

Onde está o manual?

...e a gravidade custa. a areia que beija os pés é agora gravilha que prende. a brisa que acaricia o rosto e o corpo é vento que esfria o ânimo. o calor do corpo não é suficiente para suportar a geada que se instalou.


...olho para cima e não vejo o sol. nem a lua. nem as estrelas. nada. como descobrir a direcção? como me orientar?


...ao longe um cão ladra na noite. já foi companhia de insónias. não passa agora de lamento de quem (também) está só. como eu.


...e aqui estou. à espera. ainda. sempre. à espera do manual. de instruções. onde está a cábula. com a saída a meio do percurso. o manual. que não chega.


ao fim de contas tenho a vela. que me dizem alumiar a noite escura. mas nunca cheguei a achar os fósforos.


R.

4 comentários:

A disse...

Ás vezes basta apenas mais uma alma perdida de si mesma que na bagagem traga o que nos falta. No caminho da vida por muito perdidos que nos vamos sentindo, há sempre quem na algibeira guarde o que a nós não nos pareceu importante, fruto de outras vidas, de outras necessidades, juntando pedacinhos de vida, de alma, de emoção, de saber...conseguimos ter tudo o que nos faz falta.
Beijinho cheio de tudo o que não vês.

c. disse...

...algures perdido na noite existe alguém que tem os fósforos, mas a quem faz falta a vela. alguém que, ao contrário de ti, tem falta de algum peso que o prenda à realidade para que não se perca nas suas ilusões. alguém que tem um corpo quente para te aquecer em noites de geada. alguém que escreve também um manual, mas ao qual faltam também capítulos importantes. alguém que procura respostas mas que também se perde continuamente a cada esquina. alguém que, como tu, olha para o céu em noites de insónia, mas que só consegue ver as estrelas quando alguém as aponta. alguém especial...

monikyta disse...

gt tanto de manuais de instruções...

bj meu

angel_of _dust disse...

monikyta: pois é, aprendemos a depender de manuais... de instruções, de comportamentos, de ideias...

o problema é que viver de acordo com esses manuais obriga-nos a formatarmo-nos a uma rotina igual à de tantos outros - sermos apenas mais um.

e assim, a facilidade que nos trazem esses manuais acaba por ser também a "prisão" de tudo o que é exclusivamente nosso - a nossa individualidade.