9.10.09

Roteiro do teu corpo

em constante actualização

1. Apareces assim de repente. À minha frente. Não te vi chegar. Mas a verdade é que chegaste e impuseste a tua presença. Não me julgues mal - não me estou a queixar. Antes pelo contrário... Mas talvez me pudesse ter preparado melhor. Para te receber condignamente. Ou se calhar até é melhor assim - inesperado. Assim estou obrigado a improvisar. A não ter planos nem mapas por onde me guiar. Estou definitivamente obrigado a ser eu. À tua chegada, apresento-me nú. Despido de ideias pré-concebidas. Vou a jogo sem armas adequadas à batalha. Mas, estranhamente (ou não), sinto-me seguro. Talvez por não saber qual o desfecho que procuro - sinto-me confiante. Porque seja o que for que possa tirar desta súbita aparição, já irei considerar lucro. Talvez por precisamente não estar à espera. És como um fruto exótico e apelativo - mesmo não conhecendo o sabor, quero provar.

2. Quero tocar-te no sorriso. Perceber que cicatriz esteve na sua origem. Que mágoas ficaram esquecidas para que agora possas sorrir. Para mim. Quero passar os meus dedos. Sentir cada pequena ruga. Adivinhar-te os lábios e as palavras que há já muito me dizias. Nos meus sonhos. Nessa altura, não sabia que eras tu que me sorrias e chamavas para perto de ti. Mas agora sei. E vou - sigo-te. Ainda para mais quando sorris para mim. Sem razão aparente. Apenas porque gostaste de uma palavra que te dirigi. Ou de uma imagem que juntos imaginámos. E agora dominas as minhas memórias com um sorriso imenso. Que me suga para dentro de ti. E que me pede que lá assente morada. E é assim que dou por mim a desejar viver nos teus lábios. E passar a ser, também, parte do teu sorriso.

3. Existem dois mares de ocre em ti. Onde desejo nunca saber nadar. Para que me possas salvar. Os teus olhos têm a capacidade de me hipnotizar. De olharem directamente à minha alma. De a penetrarem e descobrirem os meus segredos mais profundos. Talvez me devesse proteger - mas não quero. És benvinda. E os teus olhos de odalisca também. Serão meus convidados de honra na tua visita a esta terra árida que é o meu corpo. Que está sedento de se afundar no mar que são os teus olhos. Sim, admito sem pudor. Quero encher-me do teu brilho. Quero sentir-te a me invadires com o olhar. Os meus verdes olhos estão invejosos dos teus. Por favor, acarinha-os. Descobre que exótica côr nasce do acasalar do castanho e do verde. Não me deixes cegar, só para que me possas guiar. Salva-me do teu olhar. É tudo o que te peço. E depois... deixa-me afundar novamente.

R.


2 comentários:

Monikyta disse...

q belo roteiro, da tua alma ;)

bj meu

angel_of _dust disse...

...roteiro [que se quer] em constante adaptação e crescimento. começando pelas janelas da alma - o sorriso e os olhos - mas tentando continuar... assim eu possa ver mais :)

até já