23.11.10

Atrás da tua sombra...

Atrás da tua sombra serei eu. Atrás do silêncio que, por vezes, surge, sempre estará a vontade de dizer coisas. De te dizer coisas. Sempre importantes. Sempre essenciais. Porque, fui percebendo com o tempo que passou, nunca consegui criar a vontade de te dizer banalidades. De falar sobre o tempo ou a crise. Não, sempre te gravei como baú de tesouros de monta. E sempre quis de ti a tua sombra, onde foste gravando os sonhos que não têm cara e as vontades que não precisam de prazo. Acho que foi isso que me prendeu. Não um ou outro dia - nem aniversários nem comemorações. Não a idade, muito menos o nome. Sempre fomos, para mim, espelho das asas um do outro. E, talvez por isso, explodi sempre em viagens íntimas e definitivas contigo. Em segredos partilhados e aventuras espontâneas. Olhar para ti foi sempre o interruptor para desligar o mundo-lá-de- fora… e ligar o universo-cá-de-dentro. Fugir contigo foi fugir com algo que me complementou. E ser, percebo agora, um melhor anjo - ser bem melhor do que alguma vez tinha sido.

Atrás da tua sombra serei eu. Disse a Fiama, e agora digo eu. Serei eu na ausência das palavras novas - porque muito já foi dito - e muitas mais são as palavras que não têm som nem escrita, porque residem dentro da nossa caixa de emoções. Na falta de longos discursos e de repetições de afectos… de falar de afectos… fica a sensação. De realmente querer-se o melhor para o outro. Mesmo que não se saiba explicar. Mesmo que o toque do corpo esteja em falta pela demasia de novelos e emaranhados da rotina. Por isso, não haverá melhor meio de expressar o que te desejo do que dizer: atrás da tua sombra continuo eu. Sem forçar caminhos - mas sempre na eminência de pousar junto a ti. Se quiseres. Quando quiseres. Como quiseres. Porque não há melhor lugar para ficar do que na sombra de um anjo. Na pacatez de um brilho que passa - e fica em nós. Guardando as poeiras que o anjo deixa na sua jornada. E com elas fazer um álbum de recordações. Guardá-lo como um tesouro. E ir manuseando cada página, saboreando cada sorriso, lambendo cada lágrima, fotografando cada pormenor do corpo. Estar aqui - na sombra das tuas asas - (continua) a saber bem. A confortar-me. Cada vez sabendo menos do porquê. Cada vez tendo mais a certeza de não importar saber. Porque há coisas que não se explicam. Porque são bem maiores que dois corpos. Que duas almas. São bem maiores que a vida banal. Porque existem sombras que se tocam, e que assim ficam, unidas de forma quase transparente. São véu de sonhos e memórias conjuntas.

Noite dentro, em horas talvez tardias. Não importa. Nunca me importou o teu - o nosso - tempo. Porque as palavras e os desejos devem surgir no momento certo. Que apenas é compassado pelo bater do coração. E pela vontade de (me) dar. De oferta. Pelo menos, através de palavras que tentam fingir que são tudo. Quando nem sequer conseguem explicar o início. Não importa o tempo e o nome. A casa cheia ou a sala vazia. Importa sim um lugar inventado pela ilusão. Pela emoção. Sem princípio fechado - e em que constantemente se reencena a continuação - sem saber o fim.

R.

2 comentários:

Sensi disse...

Este é um dos momentos em que a frase de um autor (creio que desconhecido) traduz o que se sente ao ler este texto:

“Há momentos na vida em que nos devíamos calar… e deixar que o silêncio falasse ao coração; Pois há sentimentos que a linguagem não expressa… e emoções que as palavras não sabem traduzir…”

Um abraço,

SENSI

Sensi disse...

Angel,

Esta é a altura do ano em que todos nos desejamos mutuamente uns dias de Encontro, de Amizade, de Amor, de Compreensão, de Solidariedade e de Celebração.

Não quero fugir à tradição, e espero que estes dias sejam isto mesmo - a sublimação dos melhores sentimentos humanos, em relação ao outro, mas também em relação a nós próprios.

Junto a estes desejos mais um voto: que o dia 1 de Janeiro seja o primeiro dia feliz de um Feliz Ano de 2011.

Alargo estes votos a todos os que te são queridos.

Boas Festas, Bom Ano de 2011.

Um abraço,

SENSI