2.11.16

[Um] sinal.

A procura de um sinal. De algo que nos dê aquele impulso-final para ser tudo-o-que-nos-apetece-mesmo-que-amanhã-seja-outra-coisa-diversa. A espera que apenas se prende num qualquer pormenor que ainda não descobrimos - ou inventámos. É [quase sempre] a desculpa certa para não avançar. Melhor… a espera de um sinal é a desculpa. Porque parece não depender da força que temos - mas sim, de um qualquer impulso externo, que vai ao nosso agrado… mas que não implica o nosso esforço. Como se as peças encaixassem todas como deveriam - pelo menos, assim nos parece - e mesmo assim houvesse uma qualquer grilheta interior que insiste em nos prender ao lugar onde estamos. E que, algures em parte incerta, estivesse uma chave perfeitamente desenhada para libertar o nosso baú das memórias, para abrir a porta para novas viagens interiores.

Na verdade, o caminho que o anjo tem (re-)feito já lhe permite dizer saber acreditar imaginar decidir que o único sinal que deveras lhe tem de servir é a luz interior que cada vez ganha maior força. Esse farol que lhe aponta aquela direcção. À sua frente. Para poder avançar. E continuar a sua vontade de re-aprender a voar com confiança. Mas, mesmo assim, o trôpego tempo tem corrido de forma lenta. Cada passo é dado ao ritmo de um compassado bater de coração e de asas - mas que ainda vão produzindo pouco mais que uma mera brisa de tarde de outono. Urge, pois, apertar o passo - colocar o ensejo a caminho - não inventar desculpas. Ser aquilo que me-desejei. Ter asas vermelhas como o fogo que alimenta as ilusões - mesmo que sabendo, agora, como alternar o vermelho-sangue com tonalidades mais calmas que permitam apreciar viagem… ao invés de a tentar tragar de uma só vez. Saber como pintar com uma palete maior - e assim não esgotar em breves momentos o que deverá ser saboreado com gosto e tempo.

Se calhar, o sinal que se espera que chegue invente pode ser qualquer coisa: uma imagem, um suspiro, um som - uma memória que volta apenas-porque-sim e porque-tem-de-ser… uma palavra, uma frase, um texto. Onde se afirma procurar um sinal. E assim, estará está o sinal encontrado.

R.