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14 de maio de 2007

E agora?


É assim que me sinto hoje...

R.

30 de janeiro de 2007

Sem sentido de orientação

Ups! Acho que me voltei a perder na estrada. Não sei se sou eu que tenho péssimo sentido de orientação, ou então, volta-e-meia, trocam as indicações de lugar. Logo agora, que julgava estar em velocidade de cruzeiro rumo a um destino aguardado, lá voltei novamente a derrapar.

Hoje acordei esquisito. Já de manhã, quando aprumava as minhas asas para o vôo matutino regular, um formigueiro na barriga anunciava mau presságio. Seria apenas fome, pensei eu. Mas, mal havia levantado vôo, logo tudo se precipitou. E daí até ao final deste dia interminável (porque será
que os "maus" dias se prolongam indefinidamente, enquanto que muitos dos "bons" parecem diluir-se como ondas em mar agitado?) tudo andou aos repelões. Inseguranças, incertezas, erros inesperados ou provocados - não houve hora sem tremura, momento vivido em serenidade.

E a verdade é que, ultimamente, tenho perdido o norte demasiadas vezes. Eu, que sempre me habituei a fingir ter tudo sob controle. Eu, que nunca esmoreço e nunca me aflijo - aparentemente. A estrada sem sinalização é uma encruzilhada, em que não vislumbro o caminho a tomar. Apetece-me pôr tudo em pause e eclipsar-me nem que seja por breves momentos. Sei que amanhã ou depois retomarei as forças, como sempre faço. Mas hoje sinto-me em baixo. Estou confuso e não sei o que fazer. Eo grande problema é que só eu posso resolver. Mas não sei como...

R.

P.S. mais tarde, já madrugada dentro, o meu espírito acalma. Mais uma vez consigo enquadrar as minhas angústias num conformismo que não me agrada - mas que me permite dormir um pouco. Mais uma vez...

7 de outubro de 2006

Desenha-me uma ovelha

(segundo desabafo)

«Desenha-me uma ovelha», dizia o pequeno príncipe. E, com ele, estava eu. Acreditávamos ambos num mundo diferente, em que a imaginação desenhava a carvão todos os nossos desejos. Tal como aquela criança, também eu pensava (sonhava?) que as grandes questões se resolviam como soluções bem mais simples. Para mim, aquele livro, aquela criança, constituíam-se como manuais de sobrevivência da alma.

Mas, agora, desiludo-me. Não basta que eu acredite - se mais ninguém o fizer, de que me serve sonhar com ovelhas e com as cercas construídas propositadamente para as guardar, se delas todos se rirem, ou pior, se as diminuirem e desprezarem? A verdade bem dura é essa, aprendi hoje: a imaginação não tem a capacidade de se auto-sustentar; precisa de uma semente, mas não passa sem sol e água. E eu, admito, não sou capaz de tudo - julgava que sim, aceito agora que não.

Com essa criança vinda de outro planeta aprendera que a realidade não era preta nem branca, mas sim tingida de uns belo tons de cinzento. Erro meu; a realidade é de todas as cores do arco-íris. Mas o que preciso é de algo palpável, e não de uma mera ilusão óptica. Neste momento, não há crianças, ovelhas, rosas e raposas que me possam auxiliar. Olho bem para a cobra, mas, por mais que queira, não consigo vislumbrar o elefante que tem dentro. Nem sequer tenho já a certeza de que tudo não passa de um amontoado de riscos num papel. Como estas palavras... Apetece-me riscá-las a partir do exacto momento em que as escrevo. Só não o faço porque preciso de um registo preto-branco-cinzento da minha alma neste estado, uma radiografia das minhas penas danificadas. Só não espero um diagnóstico - pelo contrário, temo-o.

r. (pequeno)

Não

(primeiro desabafo)

Estou farto que todos olhem por mim, e não para mim. Estou farto que me façam perguntas para que eu valide as suas próprias respostas - a sua própria verdade. Não quero ser árbitro, muito menos espectador - eu sou interveniente, sou activo e não passivo. Não quero ser um mero espelho. Não me utilizem para se auto-afirmar, para se promover, para se congratular. Tão-pouco sirvo para eco das vossas frustrações. Sou amigo do meu amigo, amante de quem me quiser amar. Ajudo quem posso, muitas vezes em meu prejuízo. Mas não abusem de mim.

Chega do que eu digo não adiantar para nada. Chega de falar convosco, para depois perceber que mais valia ficar calado, porque só fingiram ouvir. Não pensem que me adormecem definitivamente, com as vossas conversas de ocasião, e saudações passageiras - embora pareça conformado, estou apenas a retemperar forças.

Aceitem quem sou - as minhas opções, as minhas virtudes e defeitos, as minhas vontades e caprichos. Pelo menos tentem! Como eu tento perceber as vossas falhas e imperfeições, tentem também entender as minhas. Acho (aliás, tenho a certeza) que há muito mereci o espaço que peço; não mo tentem agora tirar de mansinho. Se isso acontecer, não se espantem por, um dia destes, eu abrir as minhas asas vermelhas e levantar vôo, em direcção a novas cidades. Estarei a exercer o meu direito de descanso de todos vós. Permitam-me isso, como sempre permitiram e aceitaram com agrado a minha disposição em ampará-los nas minhas frágeis asas.

r. (pequeno)

19 de setembro de 2006

Há dias assim II

E, afinal, o mundo não ruiu... embora tenha ficado um pouco tremido. Se calhar, o meu problema é achar que a vida seria ou tudo ou nada - preto ou branco. A vida é cinzenta, prateada com reflexos de sol, mas também contrastes de lua. A vida é o que é... e não há nada que possa possamos fazer quanto a isso. Esperamos grandes decisões quando temos boas ideias, e grandes derrocadas quando surgem problemas de maior dimensão. Mas nem as terras se vão com um dilúvio, nem as decisões são sempre determinantes: na maior parte das vezes, a vida não passa de pequenas cheias e rotineiras decisões.

Há dias assim. Dias em que se julga que tudo vai acabar, dias em que se constata que não é bem assim. Enfim, há dias e dias - e nós cá vamos andando, ao sabor de uma corrente que não conseguimos prever.

R.

18 de setembro de 2006

Há dias assim

Há dias assim... dias que parecem um desfiar eterno de horas e minutos sem fim. Há dias em que pensamos qual a razão para seguir uma rotina que outros escolheram para nós. Quando de manhã nos levantamos, depois de uma noite de merecido descanso - ou de terrível insónia, como a mim me acontece repetidamente - quando uma nova jornada se apresenta perante nós; há dias em que o único pensamento que nos conforta é de voltarmos, no fim de tudo, ao leito em que somos donos do nosso destino.

Mesmo que o percurso que definimos ou aceitámos como nosso seja o que sonhámos, há alturas em que pensamos se não seria melhor fazer reset, começar de novo: fazer outra coisa, noutro lugar, com outras pessoas. Nem sempre o espectáculo para qual comprámos um bilhete acaba por ser do nosso agrado. Se calhar as personagens pareciam bem mais interessantes no texto. Na maior parte das vezes, o enredo acaba por não corresponder à nossa vontade e gora todas as nossas expectativas num final feliz(?).

Hoje é decididamente um desses dias. Antecipo já uma tempestade que se irá abater sobre a minha cabeça, logo agora que guardei o guarda-chuva e tinha comprado uns novos óculos escuros. As tábuas de um palco que iria tomar como meu desaparecem agora debaixo dos meus pés, atirando-me para um sub-palco empoeirado e abandonado. Bem sei que tenho a capacidade de galgar novamente à superfície (sempre tive), mas achava que os meus dias de "trepador" sem cabo de segurança tinham já cessado... afinal, o que tive foi uma pausa para café numa qualquer tasca de beira-de-estrada. E agora, café com adoçante bebido, volto a calçar as botas de montanha e inspiro profundamente - vem aí trabalho árduo pela frente.

As minhas asas, embora de um vermelho vivo, não têm energia para esta subida. Desta vez, terei de confiar nas pernas que me desabituara a utilizar. O problema de dias solarengos é esse: perdemos a rotina de adivinhar as chuvadas vindouras. Hoje, aqui e agora o anjo cerra fileiras, e aguarda pela derrocada. Realmente, há dias em que não devíamos sair da cama.

R.

16 de maio de 2006

Pequenos nadas

São pequenos nadas... quase microscópicos. E, mesmo assim, parece que foram colocados no nosso caminho apenas para nos atrapalhar ou irritar. Porque será que são sempre as pequenas questões, as minúsculas dúvidas que emperram a nossa vida? Quando vemos as películas hollywoodescas acontecem grandes rupturas, gigantescas falhas... e, no fim, sempre o herói as resolve com a maestria de um ás. Mas nós, os normais, parece que estamos sempre presos por ínfimos detalhes. As nossas vidas felizmente não passam por grandes tragédias regularmente - mas, no entanto, continuamos a tropeçar. Continuamos a esquecer-nos e assinar o A, ler as entrelinhas do B... dizer a C que gostámos do almoço, comprar umas flores a D apenas porque hoje elas vinham mesmo a calhar...

Nós, humanos e anjos, pelos vistos estamos sempre a tentar precavermo-nos da tragédia, do colapso total - fazemos grandes planos para grandes datas. E acabamos por menosprezar esses pequenos nadas; acabamos por viver em grandes planos cinematográficos, quando a vida deveria ser sempre feita é de pequenos momentos.

Hoje, olhei para mim, face reflectida num qualquer monitor de computador, e pensei: Que fazes aqui? Devias ir comprar uma maçã, aproveitar o sol de início de Verão, e ler livros já gastos em esplanadas citadinas... obviamente, não fui. Continuo aqui, face reflectida. Sempre foi bem mais fácil imaginar que agir.

R.